quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Dia 5: Mother Focas


No quinto dia programamos o alarme do celular para tocar às 9:30hs da manhã. Ele de fato tocou, mas John – que havia ficado jogando no computador até sabe-se lá que horas – desligou. Resultado: acordamos às 11 da manhã com Max batendo no quarto e perguntando se a gente tinha desistido de ir ver as focas.

Ah, sim. Antes de dormir, no dia anterior, nós havíamos combinado de ir até a Seal’s Island – que, como o nome diz, é a ilha das focas. Só que, como o nome diz, é uma ilha. Não dá para ir andando e nadando é um pouco difícil, já que o Atlântico do lado de cá é geladíssimo. Portanto, tínhamos que pegar um barco que tem horários programados e o último deles era – de acordo com o site – às 11:10hs.

Acordei de mau-humor por causa do atraso, culpando o John por ter desligado o alarme e por todos os outros crimes da humanidade. Pobre do namorado. Quando meu mau-humor matinal passa, fico morrendo de pena dele.

Resolvemos tentar a sorte e ir para lá mesmo assim, porque o pai tinha falado que havia um último barco que saía às 12:30hs mas não estava no site.

O tal lugar era longe. Quarenta minutos de carro. E quarenta minutos aqui, vejam bem, é bem longe. Mas fomos pela beira da praia e pude ir admirando o mar, o céu e o sol lindo que estava fazendo, o que deu fim no meu mau-humor.

E o pai estava certo. Havia mesmo um último barco às 12:30hs, e como chegamos por volta do meio-dia lá ainda tivemos uma meia hora para ver as barraquinhas de artesanato em volta.

Os artesanatos eram lindos. Eram bolsas, colares, panos e animais de madeira e pedra. Tinha até de marfim – que eu não comprei de jeito nenhum, mas devo confessar que eram lindos e eu me senti culpada por achar isso. Comprei alguns de madeira e um hipopótamo de pedra lindo que ainda não decidi se vou dar para minha mãe ou ficar para mim.

Meio-dia e meia em ponto o barco aportou. Subimos a bordo eu, John e Max, nosso companheiro de aventuras. Várias outras pessoas, de diversas nacionalidades – inclusive um menininho de uns 4 anos de idade que passou falando um português bem parecido, mas que não era, com o brasileiro – também subiram. E o vento batia frio, congelando minhas pernas brancas expostas no mini-short que já virou meu uniforme nos quentes dias daqui.

Então o barco saiu. E lá fomos nós – eu, alegria!, sem enjôo nenhum apesar do balanço – visitar a tal ilha onde as focas tomam sol.
Ainda no porto já dava para ver que de tímidas as gorduchas não tinham nada. Dormiam ali mesmo, nas bóias dos barcos aportados, sem a menor cerimônia. Algumas, provavelmente já recuperadas da soneca da hora do almoço, vinham curiosas se exibir para as pessoas no barco, nadando bem pertinho e ponto a cabeça para fora da água pra espiar, gerando um coro de “AAAAAAWWWWWW”.

Feliz da vida, eu ia tirando fotos de tudo até minha câmera resolver que as pilhas tinham acabado. Paciência, fui registrando tudo na memória. Por isso não pude tirar fotos das pinturas rupestres ao longo do caminho (elas estavam longe e eu preciso trocar meus óculos, mas John me disse que os desenhos eram búfalos).

E então chegamos num lugar cheio de pontinhos pretos na água. Demorou algum tempo para eu entender que aqueles pontinhos todos eram, na verdade, focas. Por algum motivo elas todas nadavam ou com um dos braços (nadadeiras, Tatiana, nadadeiras...) ou com os pés pra fora da água. Havia uma meia dúzia em cima das pedras e eu resolvi tentar ligar minha câmera de novo – o que funcionou e ainda consegui filmar e tirar um monte de fotos. Estava lá, toda entretida e feliz filmando as cerca de duas dúzias de focas nadando e tomando sol, quando John me cutucou e disse que eu talvez preferisse ir para o outro lado do barco.

Lá estavam elas. Dezenas, provavelmente centenas de focas tomando sol e nadando ao redor da verdadeira ilha das focas.

O barco foi voltando bem devagarinho, para não assustá-las (não que eu ache que elas, tranqüilas como estavam, fossem mesmo se assustar com um barco que as visita cinco vezes por dia). E eu fui, criança feliz que sou, me despedindo delas.

Almoçamos em um restaurante de frutos do mar – que eu não sou lá muito chegada, mas eles tinham sushi e se tem um peixe que eu gosto é salmão, mas só se for cru – e na volta John quis me mostrar um pouco das vinícolas das quais os sul-africanos se orgulham tanto.

O lugar era realmente lindo. Uma delícia de ambiente, como aquelas fazendas antigas no Brasil. Só que com uma infra-estrutura muito melhor e toda adaptada para receber turistas.

Havia uma placa que me deixou realmente interessada. “Beware the baboons. Do not picnic.” Confesso que tive vontade de fazer um piquenique só para ver se aparecia algum babuíno mesmo e durante todo o passeio eu não desgrudei os olhos dos campos, na esperança de ver algum. Só vi um esquilo e uma família de patos.

Voltamos para casa e, embora o céu estivesse lindo, nós estávamos cansados. Os pontos turísticos mais importantes da cidade estão muito lotados por causa da alta temporada e só vamos visitá-los depois do Ano Novo. O resto do dia passamos em casa, exceto por uma passada rápida no shopping para ver se conseguíamos pegar uma sessão de cinema. Não conseguimos.

1 comentários:

Erik Scott disse...

Muito legal o diário de bordo viu!!!
To daqui lendo e dando trelas de rir, imaginando sua cara ao ver as "Dezenas, provavelmente centenas de focas tomando sol e nadando ao redor da verdadeira ilha das focas", algo parecido com a cara do Simba quando começa o ataque das hienas no desfiladeiro, mas de uma forma mais animada sabe???!!!
Boas aventuras por ai!!!