segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Primeiro Beijo


Ah, o primeiro beijo...

Primeiras vezes são sempre marcantes. Os primeiros passos (você pode não se lembrar, mas seus pais com certeza não se esquecem), o primeiro dia de aula, o primeiro melhor amigo, a primeira decepção, os primeiros beijos.

Sim. "Os" primeiros. No plural. Porque cada pessoa que beijamos pela primeira vez é um primeiro beijo. A primeira vez que aqueles lábios se encostam, a primeira vez que as línguas se conhecem. Às vezes (muitas vezes) o primeiro beijo é também o último. Nesses casos nem sempre eles são especiais ou dignos de serem lembrados, mas de certa forma foram marcantes. Ou deveriam.

Um primeiro beijo é a primeira troca de informações importantes entre um talvez futuro casal. É quando pela primeira vez um sente a respiração do outro, sente a textura dos lábios, o gosto da saliva, o cheiro da pele. É quando marcam o compasso, quando decidem o ritmo, como uma dança.

Eu gosto de beijar. Como boa leonina - calem-se os comentários de "Ih, ela acredita em Astrologia!" -, acho que beijar é uma arte e deve ser explorada em todos os menores detalhes. E adoro primeiros beijos. Confesso que não tive tantos quanto a maioria das pessoas, mas todos - ou quase todos - foram marcantes.

Primeiro beijo pra mim tem que ser longo. Não dá para trocar todas as informações citadas acima em questão de segundos. Tem que durar no mínimo alguns minutos (alguns dos meus duraram até horas). Não se pode ter pressa.

Demorei mais do que a média para ser iniciada nessa arte. Tinha quase 16 anos quando aconteceu. Era o amigo de uma amiga minha, que havia sido meu amigo na infância mas havíamos perdido contato. Foi num campinho de futebol na cidade pequena em que ele mora, numa noite de julho. Eu estava nervosa, mas não tanto a ponto de fazer feio. Foi um bom beijo. Um longo beijo. Não tão longo quanto eu gostaria porque a certa altura ele percebeu que meu coração estava querendo sair pela boca e, como não estava a fim de engolir corações alheios, parou para me abraçar.

Namoramos por cinco anos.

Meu segundo primeiro beijo ocorreu cerca de seis meses após o primeiro (nesse momento devo explicar que eu morava em Goiânia na época e meu primeiro primeiro beijo morava no interior de São Paulo, só começamos a namorar de verdade mais de um ano após os acontecimentos narrados). Foi numa festa de amigos do colegial - aquelas às quais eu nunca ia. Um amigo (ou seria inimigo?) com quem já tinha uma certa tensão sexual há tempos. Com álcool no sangue (uma latinha de cerveja com coca-cola, que vergonha...) e a música certa... Bam! Lá se foi nosso primeiro beijo. Novamente, longo. Muito longo. Longo o suficiente para todas as pessoas da festa se entediarem com a novidade e pararem de gritar "Oh, meu Deus! Eles estão se beijando!" (ah, o colegial!...).

Trocamos mais uma meia dúzia de beijos naquela noite. Depois disso, nunca mais.

Depois vieram mais alguns primeiros beijos de menor importância. Mas todos, sem exceção, foram longos. É, digamos, o meu estilo.

E então veio o namorado, que foi a razão pela qual comecei a escrever tudo isso aqui. Nosso primeiro beijo veio após meses de flirting (adoro essa palavra e acho que não existe correspondente à altura em português - "flerte" é coisa que minha avó fazia). Troca de olhares, provocações veladas (ou nem tanto), jogo de "quero-não-quero", toques "sem querer", uma ida ao cinema (para pagar uma aposta) e muita, mas muita vontade.

Era 16 de junho desse ano. Festa Junina no trabalho (trabalhamos no mesmo lugar), aquela onda de vontade no ar. Eu estava brava com ele porque no dia anterior ele havia recusado um convite para ir a um barzinho. "Quer saber? Cansei dessa brincadeira. Se ele não quer nada, vou partir pra outra."
Bar com os colegas após a festa. Sentamos de frente um para o outro (olha nossa dinâmica perfeita já sendo formada sem a gente perceber). Provocações e olhares voltam a acontecer. E o álcool começa a circular no nosso sangue.

Bar fecha (às 11:30 da noite, porque afinal de contas Barão Geraldo não é um bairro universitário, não é mesmo?) e alguns dos colegas resolvem esticar o happy hour numa festa da Unicamp. Ele vai? Então também vou.

Festa da Unicamp já acabando, mas ainda com bebida à venda. Os outros colegas já estão pra lá de Bagdá (e tem leitor que vai me matar por contar isso). Rindo do estado alcoólico dos outros, ele me abraça. "Aja naturalmente", uma voz na minha cabeça diz. Ficamos andando pela (extinta) festa abraçados, conversando com os mais alcoolizados. De repente nos vemos sozinhos. Os olhos se cruzam. Ainda temos discussões para saber quem moveu a cabeça em direção a quem, mas quando percebemos os lábios já estão colados.

E se passam minutos. E se passam horas. Não sabemos exatamente quanto tempo, mas ele chuta duas horas. Eu sou mais realista, acho que foi pouco mais de uma. Um primeiro beijo bem longo, do jeito que eu gosto.

Estamos juntos há quatro meses. And counting.

E você? Como tem que ser um primeiro beijo para você?

4 comentários:

Caranguejo Excêntrico disse...

Ai, ai. Pois é.

Hum... "Primeiro beijo", "De frente ou de lado", "Felizes para sempre"... tô sentindo um padrão aqui.

Sua inspiração voltou totalmente apaixonada, heim?

:D

Mariana disse...

Ah, querida! Que post!

Sabe que não há um dia em que eu não pense em primeiros beijos? O meu primeiro dos primeiros foi tão ruim que eu deveria ter tomado trauma do assunto. O segundo primeiro também foi ruim. Levou um tempo até que eu estivesse segura o bastante e com um cara não-idiota o bastante (sempre tive dedo podre), mas os últimos primeiros beijos foram inesquecíveis.
O último foi o melhor do mundo: longo, intenso, apaixonado, molhado, devagar... passaram-se horas, anoiteceu e não vimos... Mas isso é papo para um bar.

Beijo, adorei o texto!

Ah... L'amour!

Erik Scott disse...

Hummm, primeiros beijos.....
Não tem nada melhor do que sentir nossa respiração esquentar, nosso coração acelerar,
dá uma sensação na cabeça que fica entre o desmaio e uma leve falta de ar, as dúvidas do "chego ou não chego?" "dá dando bandeira ou não?", "se eu inclinar e ela(e) sair?".
Amo essa tensão pré beijo e os risos bestas de nussa eu fiz isso, pós beijo.
Mas gosto de beijos sinceros, beijos longos sim, beijos com pegadas, saber pegar e saber se deixar ser pego... sei lá... amo simplesmente o fato do beijo!!!

Gica disse...

Meu primeiro beijo aconteceu numa livraria.

Acabávamos de assistir ao filme "Toy Story 3". Choramos muito - meus olhos estavam vermelhíssimos, minha sensibilidade tinha sido ativada de uma forma que é bem mais fácil me perguntar em que parte do longa-metragem eu não havia derramado algumas lágrimas. Nós dois desejávamos por aquilo há tempos - três meses, para ser mais exata. Por falta de coragem para realizar uma iniciativa, fomos indo e indo e indo pelos dias flertando, amando um ao outro em silêncio, nos escondendo entre olhares, caminhadas longas de mãos dadas e oportunidades nas quais ímpetos de "loucura" nos acometiam e nos permitiam ficar bem mais perto. Andamos pelos labirintos de livros, CDs e DVDs por vários e vários e vários minutos, até que chegou um ponto no qual não podíamos simplesmente escapar ilemos. Às vezes, o que resta para fazer é apenas inclinar-se para o beijo. Estou com ele há quase dois anos, mas parece que foi ontem que fui feito uma maluca para Hilson contar os acontecimentos desse dia. Como o tempo passa! :P

Tivemos outros primeiros beijos, como o primeiro beijo depois do primeiro beijo, que demorou algumas semanas porque ele não sabia se eu havia gostado de tudo aquilo, porque ele tinha medo de uma rejeição e não sabia se eu queria. O primeiro beijo furtado. O primeiro beijo demorado (porque a gente estava sempre cercado de medo, até que um dia resolveu simplesmente ligar o foda-se), (...). Vai de um a um milhão.