sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Da Série: Sonhos Que Eu Tenho

Adoro sonhar. Desde que me lembro por gente, tenho os sonhos mais estranhos de que tenho notícia. Há inclusive uma cidade para a qual recorrentemente volto. Uma verdadeira metrópole, com shopping centers e metrô. Mas este sonho não se passou na minha cidade. Foi um sonho isolado, estranho. Daqueles que me fazem ter a sensação de assistir a um filme, mas do lado de dentro da tela. Não participei exatamente dele, embora volta e meia estivesse no corpo do menino mudo. Como começou não sei precisar, mas a história é - com alguns detalhes faltando, mas nenhum a mais - essa que eu conto.



Era uma mansão. Dois andares, o segundo completamente estofado. Não se podia pisar com os pés calçados ali.

Uma casa cheia de segredos. Uma família estranha. Eram uma garota e seu irmão adolescentes. A empregada leal. Um príncipe e seu consorte jovem, loiro e etéreo. E era um menino mudo - cerca de 13 anos - agregado com seu irmão pequeno.

E havia um visitante. Alguém indesejado, procurando saber o segredo daquela casa. O príncipe, em sua nobreza, o recebera com muita hospitalidade.

E o visitante, por meios que não se sabe explicar, procura invadir os segredos e a segurança da estranha família. O menino mudo, tal como um cãozinho fiel que defende sua casa, mata o intrometido com um grito de ódio.

Confusão na casa. Sem falar sobre o assunto, todos ajudam a esconder o corpo. O príncipe, desconfiado, pergunta ao menino mudo de quem era a voz que gritou. O menino indica o irmão, o príncipe não acredita.

De repente um incêndio se inicia no piso superior. Todos correm a apagá-lo. O menino mudo novamente solta um grito. O príncipe vê. O menino corre para seu quarto, seguido pelo príncipe. Com a delicadeza característica de um príncipe, ele toma o menino nos braços e o interroga novamente. O menino começa a chorar. O príncipe o beija ternamente nos lábios.

O consorte loiro chega e sorri. Também abraça o menino. Era a profecia, todos entendem. O menino que podia falar e viera para proteger àquela estranha família. Prometido ao príncipe ainda em espírito.

A paz reina na estranha família da mansão.


Vi outro dia que estão desenvolvendo uma máquina que no futuro será capaz de filmar os sonhos. Não vejo a hora disso acontecer.

3 comentários:

Geovana Luzia disse...

Parece um roteiro de filme! Sonhei junto, mas acordada.

Caranguejo Excêntrico disse...

*.*

Esse sonho dá um belo romance. Quiçá best seller.

E eu também aguardo ansiosamente essa máquina de filmar sonhos.

A gente poderia até fazer uma mostra com os nossos sonhos, heim? Em Amsterdã! E distribuir doses controladas de LSD para que as pessoas pudessem acompanhá-los com clareza, obviamente.

XD

Gica disse...

Quando me lembro dos meus sonhos, na minha cabeça sempre ficam armazenados tais como roteiros - a composição dos personagens, a posição da câmera, os tiques mínimos. Me pergunto se sou louca ou apenas uma entusiasta, haha. Um personagem dos meus sonhos acabou se rebelando e tomando vida própria - é o tal Jack do qual tanto falo. Olhando para mim mesma, pareço uma esquizofrênica. Mas não seria o imaginário de um escritor uma esquizofrenia socialmente aceita?