Mostrando postagens com marcador machismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador machismo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de março de 2013

"Se tem Dia da Mulher, por que não tem Dia do Homem?"

8 de março, Dia Internacional da Mulher. Também conhecido como "o dia de receber uma enxurrada de baboseiras machistas disfarçadas de 'carinho' ou 'piada'". 

De propagandas de produtos de limpeza mostrando um homem sarado e seminu oferecendo "ajuda" com as tarefas domésticas àquelas cansativas mensagens de "mulher, mãe, filha, dona de casa, profissional, puta, santa, etc, etc", seja nas redes sociais pela internet, seja no trabalho, seja na TV, a verdadeira razão de existir deste dia parece ter sido esquecida há muito.

Entre tudo o que já ouvi e vi nos 24 Dias da Mulher que passei, a maior de todas as bobagens é a fatídica pergunta "Mas se tem Dia da Mulher, por que não tem Dia do Homem?".

Pela mesma razão pela qual temos Dia das Crianças, mas não Dia dos Adultos.
Por que temos Dia da Consciência Negra, mas não da Consciência Branca.
Por que temos Dia do Orgulho Gay, mas não - apesar de tentativas da bancada homofóbica - Dia do Orgulho Hétero.
Por que temos Dia do Índio, mas não Dia do Colonizador Português.

E por aí vai. Imagino que você já tenha entendido a lógica.

Não existe Dia do Homem* - ou dos adultos, ou dos brancos, dos héteros, dos colonizadores portugueses - porque o salário de um homem exercendo a mesma função de uma mulher continua sendo mais alto. 
Porque ainda se diz que homens devem "ajudar" no serviço doméstico, quando o mesmo não deveria mais ser considerado responsabilidade da mulher que trabalha tanto quanto seu marido.
Porque homens não sabem - nem sonham - o que é ter medo de sair às ruas com determinada roupa ou a determinado horário ou de ficar sozinha com uma mulher ou de ir a uma festa e beber demais e correr o risco de que alguém se ache no direito de estuprá-lo pelo simples fato de ser homem.
Porque quantos são os homens assassinados por suas parceiras todos os anos pelo motivo de por elas serem considerados propriedade?
Quantos homens já foram espancados por um grupo de mulheres enquanto esperava o ônibus para o trabalho às 5 da manhã porque elas pensaram "que ele era um prostituto"?

Então, não. No próximo dia 8 de março, não me venha com flores ou chocolates ou piadinhas. Tampouco me eleve à categoria de semi-deusa por "ser dona-de-casa e profissional". Me respeite. Não me estupre. Não me trate como propriedade. Entenda que nossa casa e nossos filhos são "nossos", e que você não está "me ajudando" ao assumir estas responsabilidades, está sim fazendo sua obrigação.

Aí sim, quem sabe, a gente possa criar um Dia do Homem só para você.

*Obs.: Quando digo "homem" neste post, me refiro a homens cis heterossexuais.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Que tem Fiuk a ver com as calças?

Posso assistir qualquer tipo de filme. Adoro os de suspense e gostou muito de um bom terror (mas tem que ser bom, não me venha com Pânico ou coisa do tipo). Não tenho problemas com cenas de assassinato, sangue, explosões, pedaço de gente caindo pelos cantos. Mas nunca, NUNCA consegui assistir a uma cena de estupro.

Por muito tempo achei que isso se devia ao fato de eu ser mulher e saber que aquilo poderia acontecer comigo. Mas eu também sou gente e poderia ser assassinada, seqüestrada, cortada em pedacinhos e devorada por Hannibal Lecter, não?

Hoje, após ler a brilhante entrevista que nosso caro Fiuk deu para a Playboy, finalmente entendi porquê. Trecho da entrevista:
"Eu sou a favor de a população botar a cabeça no lugar, de as mulheres abaixarem um pouco a minissaia, segurarem um pouquinho a “periquita” porque o bicho está pegando."
Ah, então agora tudo faz sentido! Nós, mulheres, é que temos que abaixar a saia e segurar a periquita porque, afinal de contas, homem não tem o menor controle sobre o próprio pau e se a gente não se cuida, eles saem por aí comendo todas as que derem mole. E as que não derem. Porque se a gente não abaixar a minissaia e não "segurar a periquita", eles podem acabam nos estuprando "sem querer", né?

Versátil: Além de "ator" e "cantor", ele também é um babaca

Vocês podem argumentar que não foi isso que ele disse, que estou pondo palavras na boca dele. Na mesma entrevista ele diz que já fez sexo com sete mulheres ao mesmo tempo. Com certeza, sete mulheres que não abaixaram a minissaia nem "seguraram a periquita". Mas se ele é contra as mulheres que não se "dão ao respeito", porque é que comeu sete delas ao mesmo tempo? Ah, sim, porque ele é homem... Porque elas estavam lá, dando sopa, e ele não podia controlar o pau e dizer não, né?

Entre isso e um homem que acha que pode fazer sexo com uma mulher à força só porque ela está de minissaia é um pulo.

Então eu entendi. Meu problema com cenas de estupro não é porque eu poderia ser estuprada. É porque, toda vez que uma mulher é estuprada, todas são. No nosso direito de vestir o que quisermos, de andar por onde quisermos, de escolher com quem faremos sexo ou não. O estupro a uma mulher não é uma violência contra aquela mulher, mas sim contra todas.

E ainda tá cheio de menina tietando babacas como ele.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Se eu morrer de salto alto...

Vivo uma vida cheia de emoções e perigos. Já quase morri várias vezes. Quase morro pelo menos uma vez por dia. Duas quando estou gripada ou ferida.
Depois de já ter agüentado pelo menos duas gripes, três ferimentos mortais e algumas tentativas de envenenamento, namorado aprendeu.

- Amor, se eu morrer...
- Já sei, já sei... Cremar, não enterrar. 

Ontem eu estava ferida. Por um motivo de mulher-bicho-besta, resolvi pôr o par de sandálias de saltos altíssimos que - coloquemos dessa forma - peguei emprestado da minha irmã. Aqui devo confessar uma coisa: não sei andar de salto. Devido a uma série de circunstâncias que envolveram desde dores nas costas até cinco anos de namorado quase mais baixo do que eu, acabei não desenvolvendo as habilidades femininas de se equilibrar em cima de um salto.

Andar de saltos altos está na natureza feminina. Ou não.

Mas depois de treinar algumas vezes em casa (vezes nas quais eu me sentia uma verdadeira Mulher-Gato em cima de salto agulha, pronta para arrasar), resolvi que já tinha skills suficientes para enfrentar o shopping. Resultado: de Mulher-Gato passei a me sentir a Mulher-Pato, meus pés suavam feito duas bicas e me faziam escorregar dentro das sandálias e sabe aquela poeira da rua que entra debaixo do seu pé e vira sujeira? Viraram verdadeiras pedrinhas que ficaram se esfregando nos meus já espremidos dedinhos, quase cortando a pele. Uma verdadeira tortura medieval, eu diria.

Sei não... Tenho minhas dúvidas de qual método é mais cruel.

E, claro, quase morri. Já bem treinado, namorado só ri da minha cara (o que acho uma injustiça, uma vez que eu estava quase morrendo para tentar ficar mais bonita para ele). Depois que eu desisti de bancar a Mamãe Ganso e resolvi tirar as sandálias ali no meio do shopping, mesmo (e comprar o primeiro par de chinelos baratinhos para não machucar os pés já feridos), voltamos para casa e eu me joguei na cama com os pés para cima.

Namorado quieto. Eu de pés inchados. Namorado resmunga. O que foi, dessa vez?
- Por que você resolveu pôr essas sandálias se sabia que iam machucar?
Nesse momento quase comecei um discurso sobre a sociedade machista e como ela obriga as mulheres a se infligirem os mais diferentes tipos de tortura para ficarem mais agradáveis ao sexo masculino, mas parei para pensar. Não, ele não havia me obrigado a usar as sandálias. Ele nem ao menos sabia que eu as havia contrabandeado na última visita à casa dos meus pais. Ele nunca deu a entender que gostaria que eu me vestisse de forma assim ou assado para ficar mais bonita para ele exibir.

Cheia de vergonha, admiti. Eu decidira colocar as sandálias porque eu achava que ficava mais bonita com elas. Por mais que a sociedade machista diga que as mulheres devam estar sempre lindas e femininas a qualquer custo, quem insistiu em sofrer no alto daqueles dez centímetros fui eu.

Levantei para ir ao banheiro. Pés explodindo de dor. Sinto que vou morrer.

- Amor, se eu morrer...
- Já sei, já sei... Cremar, não enterrar...

E são apenas quatro meses.